Quem é
Anderson Clayton?

Clayton (como prefere ser chamado) estudou Ciências da Computação na USP e formou-se em Análise de Sistemas de Informação no IBTA-SP. Em seguida cursou o MBA em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação. Atualmente está dedicando-se à certificação de Project Manager Professional (PMP-PMI). Atuou durante 5 anos na área de sistemas de CRM (Customer Relationship Management) e no momento está ligado a projetos relacionados ao mercado financeiro (Asset Management). A partir de 2001 adotou como antídoto para o stress cotidiano o mergulho autônomo e, apenas por hobby, formou-se instrutor de mergulho recreacional em 2004. Sua modalidade de mergulho preferida é o mergulho em cavernas, sendo certificado como Cave Diver pela NSS-CDS, Full Cave diver pela NACD e Technical Cave Diver pela IANTD.
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Reformar é MAIS QUE preciso - Reforma da Educação

Apresento neste post minha opinião sobre a necessidade de uma profunda e urgente reforma no sistema educacional brasileiro, que acredito que seja a mais importante e difícil de todas as reformas. É ela (ou sua inexistência) que definirá no longo prazo se o Brasil será mesmo uma verdadeira potência, portanto deveria ser tratada com máxima prioridade e seriedade. Não podemos mais assistir o país perder gerações inteiras por falta de um sistema educacional eficiente. Este texto, assim como todos os outros da séria ”Reformar é MAIS QUE preciso”, foi originalmente escrito por mim e publicado em um trabalho que apresentei em meu MBA em abril/2007. 

“Reforma da Educação

Não há razão alguma para o Brasil não apresentar crescimento econômico acelerado. O Brasil está no caminho do desenvolvimento significativo. Sou otimista, mesmo com todos os problemas. O país ainda não decolou como precisa, mas está no caminho certo. […] Olhei as estatísticas e posso dizer que este país caminha para ser um dos grandes líderes do século XXI. [..] O maior desafio para este país é a melhoria da educação.
(Jeffrey Sachs apud GAMEZ, 2006) [1]

Nenhum país se torna uma potência sem investir pesadamente em educação, isto é um fato que muitos governos brasileiros parecem não querer enxergar. A causa mais provável dessa cegueira voluntária está no fato de que os investimentos em educação somente trazem resultado a longo prazo e, infelizmente, isso não satisfaz a necessidade latente dos partidos de arrecadar votos no curto prazo. Talvez esse seja o setor em que fique mais claro que, para a grande maioria dos políticos, o interesse partidário e o desejo de manter-se no poder é mais forte do que os interesses da nação. Temos visto investimentos nesta área crescerem ao longo dos últimos mandatos, porém no Brasil a educação ainda não está nem perto de ser o foco das atenções como deveria ser.

Como os outros casos já aqui citados, o sistema educacional também precisa de uma profunda reforma. Muitas propostas surgem neste sentido, como a federalização do ensino, porém o mais importante é trazer à pauta da nação a importância do investimento em educação de qualidade a longo prazo.

Gostaria de ressaltar aqui duas vertentes da educação que são, infelizmente, ignoradas pelo atual sistema, mas que poderiam trazer resultados impressionantes para a sociedade e para o país: a educação financeira e a educação cívica. Muito se faria pelo futuro do país se começássemos desde já a explicar a nossas futuras gerações o valor do dinheiro e do voto.

O dinheiro não é ensinado nas escolas. As escolas se concentram nas habilidades acadêmicas e profissionais as não nas habilidades financeiras. Isso explica por que médicos, gerentes de banco e contadores inteligentes que tiveram ótimas notas quando estudantes terão problemas financeiros durante toda a sua vida.
(KIYOSAKI, 2000).

Assistimos as taxas de crescimento da China e Índia na casa dos 10% ao ano e nos assustamos com suas taxas de poupança nacional bruta de 30% do PIB no caso da Índia e 40% no caso da China. Enquanto isso no Brasil reina a absoluta ignorância da população com relação à sua própria saúde financeira. A maioria das famílias brasileiras encontra-se endividada, com sua capacidade de consumo reduzida frente ao seu grau de endividamento e sua indisponibilidade de crédito a baixo custo. E o pior, na quase totalidade desses casos as pessoas sequer entendem como foram parar nesta situação dado seu total desconhecimento do funcionamento do mercado financeiro. Sem nem ao menos entender como foram parar ali, como essas pessoas poderão achar uma saída para aquela situação?

Infelizmente o sistema educacional brasileiro não se importa em ensinar às crianças o valor do dinheiro, como obtê-lo e como conservá-lo. Para muitas pessoas a simples palavra “juros” parece descrever um mecanismo demoníaco de extorsão, no entanto estas mesmas pessoas não se dão conta da absurda taxa de juros que incide nos seus financiamentos de eletrodomésticos, móveis, moradias, automóveis, cartões de crédito e outros objetos de desejo. Essas pessoas não vêem diferença entre pagar 0,99% ou 4,99% de juros mensais, pois para elas a diferença parece muito pequena. Elas ignoram a incrível potência do mecanismo de juros compostos, e só se dão conta disso quando se encontram irremediavelmente endividadas e incapacitadas de honrar essas dívidas.
A adoção de ensino financeiro poderia aproximar a sala de aula da realidade das famílias e por isso tornar-se não só atrativa para os estudantes como importante mecanismo de controle do consumo no médio e longo prazos, diminuindo a necessidade de utilizar altas taxas de juros para isso.

Igualmente importante é a educação que deve levar civismo aos cidadãos. Estar plenamente ciente de seus direitos e deveres, entender a estrutura e o funcionamento da República, e o papel dos poderes constituídos é de vital importância para o desenvolvimento de uma nação mais justa e rica. Infelizmente o que vemos hoje no país é uma grande maioria analfabeta politicamente, e não estamos falando apenas das classes mais pobres, estamos falando da população como um todo, incluindo-se as classes mais abastadas.

A cada ano de eleição a sociedade assiste espantada a eleição dos mesmos políticos, muitos investigados, indiciados, absolvidos ou ainda aqueles que renunciaram a seus mandatos anteriores apenas para manter seus direitos políticos. Escândalos como “mensalão”, “sangue-sugas”, “dossiês” e tantos outros já fazem parte do cotidiano da política brasileira. A falta de organização da sociedade para cobrar e exigir de seus representantes acaba por propiciar e até, indiretamente, incentivar práticas e condutas desonestas dos políticos.

O problema do analfabetismo político está no fato do eleitor votar em um candidato apenas por “não ter outro”, ou por “conhecer apenas aquele candidato”, ou ainda nem saber ao certo em quem está votando já que as eleições legislativas são representativas. Além disso, a grande maioria da população não entende sequer tem noção dos papéis dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e votam no seu candidato à presidente da república achando que ele poderá sozinho resolver todos os problemas do país. E quando tais problemas continuam a se arrastar, o presidente é sempre o primeiro nome a ser julgado e condenado, sem que se impute a devida responsabilidade aos outros poderes também.

A grande massa do eleitorado brasileiro, passado um ano das eleições, nem sequer se lembra em quem votou para os cargos legislativos. Também não entende o que é da alçada dos poderes federal, estadual e municipal. Mais uma vez concentra suas reclamações na figura do presidente pois em seu pobre entendimento de política ele é visto como uma pessoa dotada de todos os poderes para solucionar todos os problemas.

É verdade que assistimos também recentemente à pressão popular sobre o caso do aumento dos deputados federais, que fez com que a Câmara dos deputados voltasse atrás no aumento anunciado. Esse mesmo fato causou desgaste político no então presidente da casa, deputado Aldo Rebelo (que acabou não sendo reeleito em seguida). Porém pouco mais de 2 meses depois essa mesma Câmara dos Deputados conseguiu passar um aumento nas verbas complementares dos deputados, criando inclusive uma nova modalidade de verba indenizatória que não precisa ser comprovada por notas fiscais. Desvios de conduta como estes poderiam ser muito menos comuns, ou pelo menos mais difíceis de serem implementados, se a população soubesse exatamente em quem votou, o que seu candidato está fazendo, como está gastando o dinheiro público, enfim, se tivesse um mínimo de educação política e cívica.

Sem sombra de dúvidas a área educacional do Brasil carece de atenção urgente. Desde as creches, passando pela pré-escola, o ensino básico, o fundamental, e médio, até as instituições de ensino superior (incluindo a parte de desenvolvimento e pesquisa destas), todas as esferas do sistema educacional brasileiro clamam por ações imediatas. Não é mais possível que o país fique parado assistindo gerações inteiras de brasileiros serem renegados a uma educação fraca e sem futuro.”


[1] O texto foi extraído da entrevista que o economista americano Jeffrey Sachs concedeu ao jornalista Milton Gamez da revista ISTOÉ. Jeffrey Sachs já apareceu duas vezes na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time, e é o autor do livro O fim da pobreza.

REFERÊNCIAS: 

GAMEZ, Milton. Entrevista: Jeffrey Sachs:” O Brasil está no caminho certo”. Revista ISTOÉ, São Paulo, edição 1940, ano 30, p. 11-13, dez. 2006.

KIYOSAKI, Robert T. Pai rico, pai pobre: o que os ricos ensinam a seus filhos sobre dinheiro. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.

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