O que é Grau de Investimento?
Apresento neste post o conceito de grau de investimento. Esse texto é uma adaptação do original escrito por mim e publicado em um trabalho sobre empreendedorismo que apresentei em meu MBA em abril/2007. Essa adaptação foi necessária pois o texto havia sido escrito antes do Brasil receber o grau de investimento, portanto necessitava de uma atualização antes de ser publicado.
Para entender o conceito de “grau de investimento” é necessário entender primeiramente o conceito de ratings. Ratings são classificações atribuídas às empresas ou países pelas agências de classificação de riscos. O mecanismo de ratings serve para classificar a opinião de uma agência sobre a capacidade da empresa ou país de honrar seus compromissos financeiros.
As agências de classificação de risco possuem um papel fundamental no mercado pois são consideradas opiniões isentas e de grande credibilidade. Cabe a essas agências analisar os países e empresas e classificá-los quanto ao grau de risco que os mesmos representam para seus investidores. Dessa forma, o investidor possui um mecanismo confiável para auxiliá-lo em sua análise de risco. As principais agências classificadoras de risco, em nível global, são:
- Standard & Poor´s
- Moody´s;
- Fitch Ratings
Para estabelecer os ratings as agências levam em consideração todos os fatores que possam afetar a a empresa ou país, e consequentemente sua capacidade de honrar suas dívidas. No caso de empresas, são avaliados por exemplo o nível de endividamento, a liquidez, participação de mercado, capacidade administrativa, regulamentação de mercado, etc. No caso de países, esse rating considera também a condução da política fiscal e monetária, o endividamento interno e externo, a vulnerabilidade com
relação ao mercado internacional, e ainda o ambiente legal e regulamentar no país.
Os investidores utilizam o mecanismo de ratings para precificar o risco de crédito de um investimento, já os emissores (empresas ou países) o utilizam para facilitar o acesso às fontes de capital (por exemplo financiamentos ou emissões de títulos e ações).
O “grau de investimento” nada mais é do que um título concedido às empresas e países que atingiram ratings que os classificam como sendo de baixo risco de crédito. Veja na imagem abaixo os diferentes ratings que são considerados “grau de investimento” pelas 3 principais agências classificadoras de risco:
Além do chamado “grau de investimento”, existe também o “grau especulativo”, que é quando o emissor ( empresa ou país) possui rating baixo. Podemos dizer de forma bastante simplista que ao investir nesses emissores, o investidor está correndo mais risco de perder total ou parcialmente seu dinheiro. E é justamente por isso que muitos fundos de pensão são proibidos de investirem em países ou empresas que não são considerados “grau de investimento”.
As imagens a seguir mostram diferentes ratings considerados como “grau especulativo”:
Dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil foi o último a receber o título de grau de investimento, sendo que até o momento (julho/08) apenas as agências Standard & Poor´s e Fitch concederam tal classificação ao Brasil.
Eduardo Fortuna define bem a relação existente entre “grau de investimento” e “risco país”, e a importância de um país ser classificado como “grau de investimento”:
A importância de ser classificado como grau de investimento é muito grande, já que muitos fundos de
pensão no mundo não podem investir em títulos que não sejam de emissores que tenham grau de investimento. Assim, os potenciais compradores de títulos emitidos por países que ainda não atingiram o grau de investimento são em muito menor número do que aqueles que podem adquirir papéis que são grau de investimento. Dessa maneira, países que atingiram grau de investimento apresentam, em geral, um risco-país baixo, não só porque são países considerados mais seguros, como também porque há um número maior de pessoas que se dispõem a ser seus credores.(FORTUNA, 2005)
REFERÊNCIAS:
COMO INVESTIR. Como o fundo administra o risco de crédito?. Disponível em <http://www.comoinvestir.com.br/anbid/CalandraRedirect/?temp=5&proj=anbid&pub=T&comp=Fundos&docid=F045B36D1F3C571D832570FA0063137C>. Acesso em
abr. 2007.
FITCH. Ratings Internacionais de Crédito de Longo Prazo. Site Fitch Ratings: 2007. Disponível em <http://www.fitchratings.com.br/About/rtg_intl_long.asp>. Acesso em abr. 2007.
FITCH. Ratings Soberanos. Site Fitch Ratings: 2007. Disponível em <http://www.fitchratings.com.br/Sovereign/issuers_list.asp>. Acesso em abr. 2007.
FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro: produtos e serviços. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005.
MOODY´S. Sistema de Rating da Moody’s. Site Moodys.com.br. Disponível em
<http://www.moodys.com.br/brasil/pdf/Rating%20System%20in%20Brief_Portuguese.pdf>. Acesso em abr. 2007.
STANDARD AND POOR´S Escala Global Standard & Poor’s. Site Standard & Poor´s: 2002. Disponível em <http://www2.standardandpoors.com/portal/site/sp/ps/la/page.article/2,1,1,4,1053135610677.html>. Acesso em abr. 2007.
Posted: July 9th, 2008 under MBA.
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